domingo, 31 de janeiro de 2010

A sessão das flores.........


Havíamos marcado a sessão de tatuagem para as 15h30min. Cheguei na hora certa e meu amigo já estava no estúdio arrumando tudo. Ele preparou os desenhos para serem decalcados, as três rosas em separado. Fez o decalque da rosa maior no ombro e as outras duas mais em baixo. Depois com uma caneta pilot desenhou as heras que compunham o desenho. Olhei no espelho e pedi que tivesse menos heras e finalizamos a preparação do desenho.

Então começa a preparação da maquina para a primeira parte, que é o contorno do desenho. Com uma agulha e tinta preta se faz o contorno. Finalizada esta parte é trocada de uma agulha para três agulhas, para fazer o sombreado e a pintura. Ele faz o sombreado em preto e depois as primeiras cores são colocadas, o verde nas folhas e o vermelho das rosa. Por ultimo o sombreado branco para dar definição ao desenho. Pronto terminado e o desenho aos poucos criou vida e brilho. Ai passamos para a orientação, não molhar por uma semana e passar uma pomada para ajudar na cicatrização. Tiramos fotos para registrar o momento de mais um trabalho bem sucedido. Ele me diz que quando estiver cicatrizado veremos a necessidade de alguns retoques.

E a partir deste momento me sinto batizada para um outro momento da minha vida. Se tatuar é realmente um ritual de dor e beleza ao mesmo tempo. No momento que estou sendo tatuada sinto arrepios e calafrios dependendo de que parte do corpo esta sendo rasgada. Tento meditar pensar no meu objetivo, no meu paraíso perdido, em tudo que se relaciona a este momento em especifico. Penso também em todo ultimo ano nas coisas que passei para chegar neste momento. Sinto dor sim, mas estou muito feliz. É uma felicidade de ter coragem para mudar, para ousar e para viver.

A dor potencializa este sentimento.

Em espanhol tatuagem se chama “ferida ornamental” – acho que eles marcaram bem o que é – uma ferida aberta que também é um desenho, um ornamento.

Sinto-me muito viva.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

As flores.....





Desde o inicio do ano voltei a frequentar o estúdio deste meu amigo em Búzios. E lá minha vontade de executar uma tatuagem, que a mais de um ano venho namorando, cresceu. Mais devo dizer, que minha ultima tatuagem foi feita lá mesmo, em Búzios, com este mesmo tatuador, a quase sete anos. Então, já comunico não foi um impulso.

Como já coloquei em outro post as flores tem significado importante na minha vida, o da transição e desabrochar ao mesmo tempo. Sempre um momento onde deixamos umas coisas de lado e ganhamos outras no processo. Desta vez isto aconteceu até mesmo com a própria tatuagem. Fiz três rosas vermelhas sendo que uma delas cobriu uma rosa pequena que já existia.

A rosa que cobri significava muito para mim. Era uma homenagem a minha avó. Mas não sinto que com este novo desenho tenha apagado este significado, muito pelo contrario o ampliei.

"Tatuagem de consumo"

Em minha ultima incursão a búzios fui conversar com um tatuador amigo meu.
Cheguei a casa na qual iria ficar hospedada e qual é a primeira brincadeira que o anfitrião fez com este meu amigo:

– “ E ai fez quantas borboletas hoje?”

- “nenhuma, mas um cara ficou horas para escolher sua tatuagem e adivinha o que ele escolheu.....Um dragão”

Depois mais tarde conversei com meu amigo e lhe perguntei se realmente isto vinha acontecendo com freqüência (um grande numero de escolhas por símbolos da “moda”- estrelas e borboletas). Ele muito cautelosamente me disse que não gostava de classificá-las assim, mas que quase todos os dias tatua, borboletas e estrelas.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Existir.

A caminho de férias, lia durante meu vôo, uma destas revistas de filosofia, um artigo me chamou a atenção. Sobre o “ter” e o “Ser”. Vocês devem estar se perguntando, que diabos isto tem haver com tatuagem. Se tiverem paciência eu chego lá.

No artigo, que apresenta o pensamento de Erich Fromm, Psicólogo Alemão que estudava a influencia da sociedade e da cultura sobre o individuo, as influencias do “ser” e do “Ter” nas ações humanas e o que isto gera em nossos valores, amores, relações sociais, escolhas etc

“A incapacidade de amar profundamente a pessoa do outro faz que, na civilização do “Ter”, o individuo vislumbre no consumo a conquista de um lugar fugaz bem-estar. O ato de se adquirir objetos se torna uma válvula de escape para tensões cotidianas.”
Erich Fromm

A capacidade de existir versus a necessidade de consumir. Uma questão paradoxal que permeia as nossas vidas. Seria simples dizer que consumir não é existir, mas algo que somente é parte de nossa vida. O problema está em vulgarizar esta relação e as coisas perderem sua profundidade.

A relação do existir e consumir, com a tatuagem atravessa a questão das escolhas e da reflexão sobre elas. A estética da tatuagem está relacionada com o mais profundo do existir. Se esta relação é retirada ela também se torna um bem de consumo, “Ter” e não “Existir”. Algo bonitinho que desenhei no meu corpo no verão, sem a menor conseqüência ou reflexão. Aquilo que demonstra nossos valores e nos representa também vale para a tatuagem.

Infelizmente de uma década ou mais para os dias de hoje a “tatuagem de consumo” tem se tornado cada vez mais comum. E em minha reflexão de viagem pensei que a tatuagem é parte do que nós somos. Transporta - personalidade, valores, amores e não o que você tem como bem material.

domingo, 25 de outubro de 2009

Tatuados pós-modernos

Dedico as pessoas tatuadas do novo século e também a historia deste movimento. Ser tatuado e também ser “normal”. (normal entre aspas porque de perto ninguém é.)
Nós trouxemos para a sociedade uma nova possibilidade de individuo. Uma possibilidade estética e cultural, que re-nasceu e não mais pode ser negligenciada. Mais e mais pessoas estão se tatuando, e o fazem porque se sentem confortáveis em seus corpos multicoloridos. O importante nestas considerações é levarmos em conta, que esta é uma expressão artística, valorosa e bela.

Este movimento, que a partir do século vinte se modifica e toma grande força na nossa sociedade. Principalmente na década de noventa com a chegada da tatuagem de Henna, que por ser delével, possibilita a uma gama maior de pessoas experimentarem terem seus corpos adornados. Assim diminui um pouco o preconceito e aumentou a curiosidade.

Hoje vou indicar uma leitura muito interessante de um professor americano, que mudou sua vida através da tatuagem ou porque não dizer com a tatuagem.
Este cara é o professor Samuel M. Steward, que em seu livro – Bad Boys and ToughTattoos” ele conta sua trajetória e historias com o mundo da tatuagem.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Que vejo flores em você!



Então chega a fase das flores. A primeira foi feita na época em que minha avó faleceu, sonhei com ela segurando uma rosa vermelha e tatuei-a no ombro. A segunda flor a historia é um pouco mais complicada, mas só vou dizer o seguinte, estava me separando e tatuei uma flor de lótus na lombar. A flor de lótus vocês sabem nasce nos pântanos lá na Índia. Então ela representa esta transição na minha vida. Transição e predição, como sempre. Tenho a opinião de que toda transição e para agente se perder um pouco e depois achar outra coisa.

Agora estou começando outro planejamento no qual a tatuagem deixa de ser um símbolo individual tatuado para se tornar um projeto de imagem corporal. Explicando melhor pretendo unir as imagens que tenho tatuada começando pela flor vermelha que tenho no ombro.

E vou tatuar mais flores. Porque flores? Elas são hibridas sedutoras e com afiados espinhos. Acho que todas as experiências pelas quais passamos na vida são assim hibridas. Não existe só felicidade nem só tristeza.

sábado, 5 de setembro de 2009

Amar e Chocar.

Quando eu pensava que já tinha escutado de tudo um pouco em relação ao preconceito, sobre tatuagem e tatuados, acabo por ouvir algo novo.
Estava em uma festa de aniversario conversando alegremente com uma conhecida sobre tatuagem. Ela me contava sobre duas tatuagens que a interessaram e impressionaram: a primeira - a de um rapaz que tinha veias tatuadas pelo braço e a segunda uma menina tatuara um coração no meio do peito. Quando de repente se intromete na conversa uma senhora, que estava na sala, e diz; mas quem faz este tipo de tatuagem esta querendo mesmo é aparecer e chocar.

O que vocês acham disto?

Eu acho que estas pessoas são primeiro corajosas e também muito originais. Acho que se utilizam de imagens fortes no próprio corpo porque possuem sentimentos muito fortes no seu interior. Elas se emprestam a uma performance cotidiana de impressionar, por vezes chocar, mas também de amar a beleza.

Corroborando o que venho falando acima, trago uma citação do livro ”O Corpo como Objeto de Arte” do sociólogo Frances Henri-Pierre Judy.

“Quando são bem trabalhadas, as diferentes tatuagens podem se assemelhar a quadros, cuja superfície seria a pele do corpo. A exibição da tatuagem é um gesto considerado sagrado, é o mistério de um código figurado por uma representação simbólica que é oferecido ao olhar alheio. Á sua maneira, a tatuagem se apresenta ao mesmo tempo como uma inscrição intimista sobre o corpo e uma manifestação pública”
 
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